terça-feira, 8 de setembro de 2009

Não estou interessada em ser um clichê. Contar uma história triste pra que os homens sintam-se culpados por já terem feito, essa coisa de deixar coraçoes aos pedaços e nem que as milhares de mulheres, não dotadas de uma boa e grande auto estima, se identifiquem com minha dor. Não pretendo ser um paradoxo, dizendo que tudo que senti foi diferente de todos os maravilhosos romances de Shakespeare. Tão pouco esclarecerei o que é o amor e o que ele faz com nossas cabeças e sentidos, até porque se eu tivesse tido a resposta para essas perguntas, certamente, não estaria me preocupando em tentar colocar nesse papel a maldita dor que parece contrair e esticar todas as células do meu corpo em um ritmo desagradável.
Hoje sou só uma garota sozinha em um bar, me deixando seduzir por essas bebidas, o suficiente para amanhã dar a desculpa amarela-rosa-roxa-vermelha ao meu próprio ego. A velha desculpa de que foi a bebida quem escreveu as mensagens, que foi ela quem deixou a mensagem suicida naquela maldita caixa postal, que foi ela quem discou o seu número pelo menos quinze vezes. Não lido mais bem com as coisas e qualquer cheiro, gosto, vontade. Qualquer rastro de memória minha fica atrelada a você em um laço firme que parece ferro, até cheira a ferro, e dói como ferro transgridindo as minhas células, veias e tudo mais. Pareço um detetive a procura de qualquer sinal seu, qualquer palavra que eu talvez tenha pronunciado em momento impróprio, qualquer erro. E pensando bem, o erro é todo meu. Infringi todas as minhas leis, desafiei todos meus limites. Fiz promessas, assoprei velas, contei estrelas, colhi trevos, parei de fumar, cruzei os dedos toda vez que vi um fusca azul, coloquei sal grosso em todos os cantos da casa. E pra que? Estou no mesmo lugar que lembro ter me visto no ultimo ano, não evolui nem um centímetro para frente ou para tras. Tudo que digo não tem mais nexo, tudo que eu acreditava foi embora com o vento. E todos os namorados que tive tinham sempre o mesmo problema: eles não eram você e isso acabava rapidamente com qualquer coisa.
Você foi embora e nada posso eu fazer pra me livrar desse pesadelo que é acordar todo dia e cheirar o travesseiro, desesperadamente, pra tentar sentir o cheiro do teu cabelo. Não consigo me livrar da boa sensação que sinto toda vez que paro em frente a uma feira e encontro lá uma banca de pimentões verdes. Procuro motivos para manter vivo em mim cada momento que te vi, cada momento que estive contigo, e meus motivos parecem muito concretos. Concretos o suficiente para me fazerem sair correndo na chuva só pra talvez te ver de longe, só pra talvez te ver quebrando meu coração de novo. Você ainda é o meu maldito sonho de todas as noites e nada que eu tente, mesmo que arduamente, vai fazer com que isso mude.

Um comentário:

  1. tbm vou tentar nao ser um cliche respondendo o post.. ate pq vc sabe que eu nao conseguiria ser um, pois vindo de mim, qquer tipo de expressao sentimental NAO seria um cliche, ja que tenho algo estatico dentro do meu peito onde deveria haver algo batendo.
    primeiro de tudo, tenho que admitir (o que nao é dificil pra mim) que vc tem o dom da palavra.
    depois, o que mais me chama a atençao no seu texto é a parte em que vc diz estar no mesmo lugar do ano passado. eu nao sei como lhe falar isso, mas eu aprecio demais esse teu sentimento totalmente linear. tudo que eu sempre tive medo era de estar ao lado de uma pessoa inconstante como ja estive e tenho pessimas lembrancas dessas alteracoes de humor/sentimento/anseios. VOCE sempre esteve no mesmo lugar de 1 ano atras, agora EU ME PERGUNTO se eu estou no mesmo lugar do ano passado. e a resposta é nao! eu mudei muito com relaçao a voce (desde nao acreditar em voce, no teu amor, ate sentir vontade de te viciar em lost).. muitas vezes eu sinto vontade de que voce tivesse aqui só pra eu te mostrar um filme que eu gostei, uma musica que eu to ouvindo, um nada que eu esteja fazendo..
    e muitas vezes eu nao sinto vontade alguma de coisa nenhuma, a nao ser medo de me arrepender por te falar alguma dessas coisas que eu sinto por vezes.
    enfim, eu me tornei uma pessoa que eu mais tinha medo de estar junto.. alguem inconstante querendo uma constancia ao meu lado que aguente a minha variaçao de humor/sentimento/anseios

    e por favor, nao me diga que "nao espera que eu va namorar com vc, que nao ta me pedindo nada", pois assim como vc me conhece mais que ninguem, eu tbm acho que ja te conheco bem o suficiente pra esperar essa tua resposta

    enfim, só sei que nada sei.. mas que eu mudei, apesar de uma forma lenta, eu mudei. e ainda vou te viciar em lost pra ver varios episodios um atras do outro haha

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