domingo, 30 de maio de 2010

É incrível como a notícia de que tu estaria por perto se aproximava de mim como quatrocentos soldados raivosos e enfurecidos, lutando por uma nação. Aquele mesmo fervor, aquela mesma vibração. Agora já aconteceu, tu já esteve na minha cama e foi embora como nas milhões de vezes anteriores e a vibração passa, a euforia passa e o que sobra é a falta de sono e as olheiras tomando lugar do que deveria ser um dia normal. Em que linha de raciocínio funcionam as coisas que se correlacionam contigo, existe alguma razão? Ou é só o destino brincando de se divertir as minhas custas?
O tempo todo eu esperei por um milagre. Ser uma boa moça, cumprir minha obrigações e assim eu teria uma recompensa: sua confiança, sua ternura e enfim, seu amor. Não sei se não fiz o suficiente, ou fiz coisas demais que acabaram por sufocar e congestionar todas as linhas de explicações viáveis para isso, e então minha recompensa nunca chegou.
- Você nunca vai ser meu
- Algum dia eu serei de alguém?
Estava ali o tempo todo, as suas perguntas-respostas se amontoaram dentro de mim como um monte de pó fazendo mal a alguém que tem problemas de respiração. Sua falta de vontade de entender o que realmente acontece, o que realmente importa sempre me faz perder a fala.
- Por que você gosta de mim, logo de mim.. quando isso vai acabar?
- Já acabou.
E no meu presente, no hoje, me tornei alguém que não quer ninguém por perto, porque eu já tenho um passado, um monte de histórias bizarras. Deixar alguém se aproximar de novo é besteira, falta de razão. Emoção demais. Chegou a hora de trocar emoção por razão e finalmente abrir mão do que vem escurecendo os minhas manhãs há mais de 1095 dias.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Não sei mais escrever. Fato.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Vou aproveitar o momento de raiva (que espero que não passe) pra dizer que tu foi o maior erro da minha vida, que tu é a coisa mais estranha e ridícula que eu podia ter chamado de "amor". Quero muito, muito, muito que tudo dê errado pra ti. É, porque cansei de passar por cima do meu orgulho e dizer: "feliz aniversário" "feliz natal" "feliz ano novo" "feliz dia dos bobos". F o d a - s e. Feliz morte pra ti, porque pra mim tu tais enterrado e não vai ser musiquinha e cartinha bonitinha nenhuma que vai te tirar de lá. Mais do que nunca, saiba que te odeio com toda a força do mundo. E tudo que tem bonitinho escrito pra ti aqui foi uma grande enganação.. e se algum dia chegares a ler isso, saiba de uma coisa: tu fodeu minha vida, e eu nem me importo porque eu sei que mais cedo ou mais tarde tudo vai voltar em dobro pra ti. Idiota. Parabéns e só pra terminar:
FODA-SE.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

É engraçado como Curitiba parece não ser a mesma de ano passado, na qual eu entrava em um taxi e vomitava rápido:
- rua martin afonso, por favor..
Naquele táxi em que meu estômago embrulhava, esfriava e parecia um borboletário, naquele mesmo, que eu não conseguia conversar com o taxista - por mais simpático e alegre que ele parecesse - pois guardava todos os pensamentos, palavras pra quem hoje é uma lembrança mal escrita no meu diário. É, Curitiba está muito diferente, agora entro no taxi com a certeza de quem ou o que encontrarei será/serão só coisas rápidas, frias - que escapam tão rápido quanto um peixe pescado das nossas mãos.
Acordo com a vontade que o dia acabe, que as coisas passem rápido e que eu volte logo pra casa onde dá pra desfrutar do colinho de mamãe e que possa chorar sem alguém me chamar de infantil, que eu possa usar o telefone quanto quiser e que a casa seja limpa, magicamente limpa.
Não suporto bagunça, mas o pouco tempo que me resta para rever a embriologia/fisiologia animal me impede de ir até a cozinha e lavar aqueles mil pratos, colheres e copos que se amontoam desordenadamente. Diferentemente daquela dedicada e boa moça que eu costumava ser que lavava as suas louças, camisetas, meias, cuecas e até o boxe sujo do banheiro , né?
Prefiro pensar que foi Curitiba quem mudou, prefiro pensar que foi tudo obra do acaso e que minhas atitudes, palavras e textinhos sentimentais como este não ajudaram e nem atrapalharam em nada, que a nossa relação caminhava para um abismo há muito tempo e que tudo que eu fiz foi empurrar mais um pouquinho.
Talvez alguém diga que isto tudo é pura dor de cotovelo, que meu coração está em frangalhos e que eu precise, realmente, de um especialista. Até concordo com esta pessoa que, diga-se de passagem, é minha mãe, mas o que poderei fazer além de concordar? Confesso minha insanidade, confesso que tudo que imagino é difícil demais, tudo que tento parece ser inalcançável demais, sujo demais, brigas demais, choros demais, feridas demais e continuo na mesma pergunta sem resposta, andando em círculos. Consequentemente, concordar com a ridícula resposta que todo mundo me dá ao saber do meu caso, é, bem aquela de " deixa rolar, o que tiver que ser vai ser" e andar por ai com a cabeça erguida fingindo possuir um orgulho e uma boa vontade que só eu sei que é irreal, é tudo que posso fazer
De mais, eu sei que meu telefone não vai tocar, esta esperança ridicula e infantil não tenho mais, e a unica diferença é que o teu também não vai e ficaremos/ficarei aqui estagnada e levando minha vida até algo muito bom acontecer e eu gritar: ha-ha you're SOOOOO last week.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Devagar, é tudo que posso agora. Movimentos pequenos, pequenos passos em direção a estrada longa que abriu-se em frente a mim. Como uma catastrofe ambiental, uma rachadura no meio de uma rocha onde as duas partes se separam, mesmo que seja por alguns centimetros. A verdade é que estes poucos centímetros – que são facilmente despercebidos - logo se transformam em metros, quilometros e é exatamente assim que as coisas funcionam. O tempo passa e leva aquela outra parte para longe sem que ninguém perceba, ninguém além de ti. Analistas, psiquiatras tentarão explicar que todas as pessoas, rochas, matérias, sedimentos, passam por nossas vidas e deixam certas marcas, mas o que difere uma das outras é a maneira como queremos lidar com estes pequenos pedaços de nada.
Nada.
É como olhar para um céu claro e sem nuvens, e tentar adivinhar o que se passa com ele e com o vento. Refletir sobre os fragmentos que por qualquer motivo se ligaram em certo tempo e parecem indestrutiveis, intocaveis, inabaláveis. A decepção é grande quando o estudo mais aprofundado nos revela que rochas são apenas rochas e também estão sujeitas a mudanças que de repente se destroem, se desmancham e somem. E pedaço por pedaço, caco por caco, grãos de areia, tijolos não são suficientes para compensar estes centímetros de nada que nos separam.
Olhar para o lado, sentir uma brisa que por travessura do destino tem o teu cheiro. Tentar pular aqueles centímetros de distância que separam nossas rochas, e outra vez estou aqui tentando ir devagar e não apurar os passos. De mais, tento investigar e delimitar todo este caminho novo pelo qual me obrigo a seguir sem a tua mão nas minhas costas guiando os meus passos perdidos, bêbados. E o resto. O resto é nada.
Eramos um? Eramos dois? Eramos dois em um? Ou nunca fomos? Nada? Nunca fomos nada? Nem uma expressão algébrica, uma função de primeiro grau? Uma agulha perdida no meio do palheiro? Uma vela no meio de um bolo de aniversário de 80 anos? Uma lenha a mais na fogueira de são joão? Nada?
Nada.
E ai, se eu pudesse apagar cada travessão, cada linha, cada frase que formulei, cada pensamento que tive, cada sonho. Mais uma vez, se eu pudesse apagar cada centímetro de sentimento que tenho ao ler o teu nome escrito em qualquer caderno, eu queimaria a borracha com os meus dedos, gastaria todo o corretivo necessário só pra poder passar perto da rua da sua casa e não fraquejar, não encher os olhos d’àgua, não imaginar você. E ai corro para o penhasco - que parece crescer a cada dia e aumenta nossas distancias assim, sem pestanejar - corro e não ha mais nada a fazer, a dizer, a escrever, esperar. Tudo foi embora, todos os sedimentos se esvairam com o vento e se foram. E não restou nada, nada além da vontade de contruir uma ponte e te alcançar. Alcançar.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

no more, no more, no more..

Não consegui entender o porquê de o dia ter nascido ensolarado hoje. Porque sempre que acontece alguma catastrofe na minha vida, é dito e certo que o outro dia amanhece cinza, chuvoso ou coisa parecida. E não que não goste, pra falar a verdade amo dias chuvosos, amo a capacidade que eles tem de me deixar nostalgica. Entretanto, hoje o dia amanheceu ensolarado, cheio de cores, cheio de pássaros e borboletas. Por que? Seria este um sinal do céu pra me empurrar pra frente? Pra dizer que não posso desistir agora, que não posso voltar a andar em círculos? É, prefiro pensar assim, que é um jeito sutil de alguém lá em cima me dizer o que fazer. Então eu abri o jornal pra ler meu horóscopo, e dizia: cuidado com a veemência. Que diabos seria isto? Ok, abro o dicionário e lá está, veemente: adj. Impetuoso. Intenso. Mais uma vez, que diabos é este horócopo dizendo pra uma pessoa de áries que ela não pode ser intensa? Droga, agora queria aquele joguinho do teu celular, aquela bola mágica, pra perguntar o que devo fazer, porque ontem ele me ajudou a responder mil perguntas, embora não tenha tido coragem de “seguir o seu primeiro instinto”.
Ao contrário do dia bonito, simpático e espetacular, meu corpo amanheceu com dores pra todos os lados. Dói a cabeça, dói o joelho, dói as costas, dói o nariz, dói o coração, dói os olhos. Pareço ter sofrido um acidente, onde o carro capota e eu teria de ficar em observação por alguns dias. Todo movimento que faço, todo copo d’água que tenho de alcançar pra alguém, todo jornal que tenho que apanhar do chão parecem ser os movimentos mais dolorosos da face da terra, como se eu tivesse feito um mês de academia sem parar pra descansar. E dói, dói demais. Dói como alguém abrindo a sua boca com as duas mãos, para cima e para baixo, quebrando o teu maxilar, dói como alguém fazendo uma cirurgia no coração onde a anestesia não funcionou, é, exatamente assim. Doendo.
Daqui nove anos, a gente disse, daqui nove anos a gente nem vai se conhecer. Daqui nove anos essa minha dor que parece a flecha atravessando o calcanhar de Aquiles vai parecer não ter existido. Mas e ai? Terei de esperar nove anos pra ter coragem de dormir? Terei de esperar nove anos pra ter coragem de dormir e sonhar contigo? Porque, a gente sabe, a gente sabe que não tenho dormido só por medo de sonhar contigo. Então, melhor assim, melhor foi eu dizer que: amanhã não nos conheceremos mais e pronto, fica tudo mais fácil. Não fica? Minha dor, eu posso lidar com a minha dor, todo mundo pode lidar com a sua própria dor. Não pode? É a única coisa que espero.
São 10 horas da manhã e teu carro não está mais na garagem, não sei bem que horas tu saiu, mas acredito que já está longe o suficiente de mim pra que eu não possa correr e dizer que esqueci alguma coisa, que.. seilá, que esqueci meu óculos dentro do teu carro e sabe, não posso viver sem meus óculos. Mas é mentira, é mentira e todo o mundo sabe disto, é a mentira que gostaria de estar contando pra ti, pra te ver mais uma vez, pra me despedir de ti mais uma vez, pra adiar essa dor. Não, não da pra te alcançar. E mesmo se desse, meu bom senso não deixaria correr desse jeito. Porque a partir de hoje era pra, supostamente, não nos conhecermos, eu sei. Então é isso. Então é isso, eu saindo do teu carro e batendo a porta. Então é isso, eu saindo da tua vida sem deixar nenhuma marca, até porque todas as marcas estão em mim, todas as dores e lamentações. Então é isso, ultimos dias de outubro e não entendi nada o que isso quis dizer. Mentira, eu sei sim.. quis dizer: tchau, eu não posso mais achar que um ferro atravessando minha garganta é algo bom, mesmo que seja bonito, bla bla bla, é um ferro na garganta e dói demais. Então é isso, sem “até breve”, sem “a gente se vê”. Adeus. Adeus e adeus.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

[In memorian]



" (...)
Ouvindo-o, Critão fez sinal ao menino que se encontrava mais perto. Este saiu e voltou pouco depois em companhia do encarregado de lhe dar o veneno, que já o trazia espremido na taça. Ao ver o homem, Sócrates perguntou-lhe. E agora, meu caro: já que entendes destas coisas, que precisarei fazer?
Nada mais, respondeu, do que andar depois de beber, até sentires peso nas pernas, e em seguidas deitar-te. Assim o veneno atuará.
Depois dessas palavras, estendeu a Sócrates a taça, que a tomou das mãos dele com toda a tranquilidade, sem o menor tremor nem alteração da cor ou das feições. Mirando por baixo o homem, com aquele seu olhar de touro, perguntou-lhe: Que me dizes? E se eu fizesse uma libação com um pouquinho disto aqui? É permitido ou não?
Só preparamos, Sócrates, respondeu, a quantidade que nos parece suficiente. Compreendo, retrucou. Mas pelo menos é permitido, e até um dever, pedir aos deuses que façam feliz a passagem deste mundo para o outro. É o que peço. Prouvera que me atendam! Depois de assim falar, levou a taça aos lábios e com toda a naturalidade, sem vacilar um nada, bebeu até à última gota. Até esse momento, quase todos tínhamos conseguido reter as lágrimas; porém quando o vimos beber e que havia bebido tudo, ninguém mais aguentou. Eu também não me contive: chorei à lágrima viva. Cobrindo a cabeça, lastimei o meu infortúnio; sim, não era por desgraça que eu chorava, mas a minha própria sorte, por ver de que espécie de amigo me veria privado. Critão levantou-se antes de mim, por não poder reter as lágrimas. Apolodoro, que desde o começo não havia parado de chorar, pôs se a urrar, comovendo seu pranto e lamentações até o íntimo todos os presentes, com exceção do próprio Sócrates.
Que é isso, gente incompreensível? Perguntou. Mandei sair as mulheres, para evitar esses exageros. Sempre soube que só se deve morrer com palavras de bom agouro. Acalmai-vos! Sede homens!
Ouvindo-o falar dessa maneira, sentimo-nos envergonhados e paramos de chorar. E ele, sem deixar de andar, ao sentir as pernas pesadas, deitou-se de costas, como recomendara o homem do veneno. Este, a intervalos, apalpava-lhe os pés e as pernas. Depois, apertando com mais força os pés, perguntou se sentia alguma coisa. Respondeu que não. De seguida, sem deixar de comprimir-lhe a perna, do artelho para cima, mostrou-nos que começava a ficar frio e a enrijecer. Apalpando-o mais uma vez, declarou-nos que no momento em que aquilo chegasse ao coração, ele partiria. Já se lhe tinha esfriado quase todo o baixo-ventre, quando, descobrindo o rosto – pois o havia tapado antes – disse, e foram suas últimas palavras: Critão, exclamou, devemos um galo a Asclépio. Não te esqueças de saldar essa dívida!
Assim farei, respondeu Critão, vê se queres dizer mais alguma coisa. A essa pergunta, já não respondeu. Decorrido mais algum tempo, deu um estremeção. O homem o descobriu; tinha o olhar parado. Percebendo isso, Critão fechou-lhe os olhos e a boca.
Tal foi o fim do nosso amigo, Equécrates, do homem, podemos afirmá-lo, que entre todos os que nos foi dado conhecer, era o melhor e também o mais sábio e mais justo. "