domingo, 20 de setembro de 2009
Nunca me conformei com o fim de nada. Por mais que eu sentisse que era a hora. Por mais que eu quisesse ou precisasse me livrar das coisas. O “acabou” sempre chega ou chegou como se eu jamais tivesse parado pra pensar nele. Cruel, terrível e doloroso além de mim. O último dia em qualquer coisa que tenha durado tempo suficiente pra me fazer dormir sorrindo com o dia seguinte. Um emprego, um curso, uma casa, uma viagem especial, um relacionamento. O ultimo dia do ano. Sempre tristes, sempre cheios de momentos em que eu preciso me isolar e ficar de um quase desespero catatônico. Uma vontade de sair correndo sem me mexer. Um pavor calmo e, pra quem nada entende de espasmos assustados, até sorridente. Abaixar e abrandar tudo em mim que ainda se debate pra continuar onde estava. Subindo loucos para a minha testa, todos eles. Mas quem são esses eles que sobem pra minha testa? Um mal estar em velar a vida que acabou pra poder continuar. Uma mistura caótica de enterro com nascimento, tipo se apaixonar. Dez pra meia noite meus amigos já estão um pouco bêbados e os fogos começam nas praias próximas. A praia em frente a casa está linda e o teto cheio de bexigas brancas. Meus amigos cheiram bem. Digo, por causa do banho. Eu sumo. Desapareço. E começam as piadinhas “deixa, ela é assim mesmo”. Uma coisa horrorosa me assusta e eu quero algo que não é nem a minha mãe e nem a minha cama e nem a minha casa. Olho meu carro na garagem da casa e tenho um segundo de alívio. Ainda existe ir embora. Mas da onde? Eu sempre querendo ir embora. Mas pra onde? Quero um colo e um quente e um ombro que nunca conheci. Não é de homem, de amor, de força. O que é isso? Um enjoado que não faz passar mal. Um frio que não precisa de agasalho. Uma necessidade absurda de ir para um lugar que eu nem imagino qual seja. Uma saudade de vida inteira como se eu já tivesse vivido. Uma coisa enorme e ao mesmo tempo concentrada naquela picadinha de inseto atrás do meu joelho que incha e incomoda do tamanho do mundo. Uma angústia que estremece até aqueles cantos da gente que a gente passa batido. Uma coisa de cantos e não de peitos. Mas que acaba com o oxigênio.
sábado, 12 de setembro de 2009
"A gente procura um amor que dure o mais possível. Procura, procura, talvez tu ache. Para mim é horrível eu aceitar o fato de que eu tô em disponibilidade afetiva. Esse espaço entre dois encontros pode esmagar completamente uma pessoa. Por isso eu acho que a gente se engana, às vezes. Aparece uma pessoa qualquer e então tu vai e inventa uma coisa que na realidade não é. E tu vai vivendo aquilo, porque não agüenta o fato de estar sozinho."
@ Eu me sinto super feliz quando encontro uma pessoa tão confusa quanto eu - Caio Fernando Abreu
Nesse momento me vejo sendo guiada por um fotógrafo invisível - que nem ao menos sabe o meu nome - e decide revelar seus negativos exatamente no instante em que faço a escolha de confiar que a realidade é um princípio necessário para a minha saúde mental.
Fantasias são mais atraentes do que realidades, disso não tenho a menor duvida, pois tudo se torna mais simples e bonito, mais antingível. Meu relato é que em minha fantasia, tudo acontece. Em minha fantasia você acorda com a certeza de que está fazendo tudo de maneira ridícula, patética e errada, corre pra mim com os braços abertos ultrapassando comentas para ter certeza de que quando chegar não será tardio demais. E nunca é. Não tenho mais certeza de que um dia será, de que um dia o sol deixará de brilhar toda a vez que pensar em teu nome, que meu pêlos deixarão de arrepiar toda vez que ouvir o seu "alô, como é que você anda?". O meu esperar tornou-se maior do que tudo que acredito, tudo que penso e sinto. Minha realidade não faz mais sentido algum, minha realidade tem sido desejar que nossos encontros sem pontos finais continuem pelo resto da minha fatídica vida. Não consigo imaginar a realidade sem as fantasias e tudo já está confuso outra vez.
De todos os meus pedidos tenho a certeza de quatro: quero evoluir, quero fugir e quero correr, porque essas são as necessidades mais básicas no meu calendário hoje. Mas o quarto, por favor, é o que mais me acrescenta: quando o ano novo chegar alguém faça com que o ecoar daquela câmera apodreça e que esse fotógrafo perverso dê as caras de uma vez, ou que então desapareça.
Fantasias são mais atraentes do que realidades, disso não tenho a menor duvida, pois tudo se torna mais simples e bonito, mais antingível. Meu relato é que em minha fantasia, tudo acontece. Em minha fantasia você acorda com a certeza de que está fazendo tudo de maneira ridícula, patética e errada, corre pra mim com os braços abertos ultrapassando comentas para ter certeza de que quando chegar não será tardio demais. E nunca é. Não tenho mais certeza de que um dia será, de que um dia o sol deixará de brilhar toda a vez que pensar em teu nome, que meu pêlos deixarão de arrepiar toda vez que ouvir o seu "alô, como é que você anda?". O meu esperar tornou-se maior do que tudo que acredito, tudo que penso e sinto. Minha realidade não faz mais sentido algum, minha realidade tem sido desejar que nossos encontros sem pontos finais continuem pelo resto da minha fatídica vida. Não consigo imaginar a realidade sem as fantasias e tudo já está confuso outra vez.
De todos os meus pedidos tenho a certeza de quatro: quero evoluir, quero fugir e quero correr, porque essas são as necessidades mais básicas no meu calendário hoje. Mas o quarto, por favor, é o que mais me acrescenta: quando o ano novo chegar alguém faça com que o ecoar daquela câmera apodreça e que esse fotógrafo perverso dê as caras de uma vez, ou que então desapareça.
terça-feira, 8 de setembro de 2009
Não estou interessada em ser um clichê. Contar uma história triste pra que os homens sintam-se culpados por já terem feito, essa coisa de deixar coraçoes aos pedaços e nem que as milhares de mulheres, não dotadas de uma boa e grande auto estima, se identifiquem com minha dor. Não pretendo ser um paradoxo, dizendo que tudo que senti foi diferente de todos os maravilhosos romances de Shakespeare. Tão pouco esclarecerei o que é o amor e o que ele faz com nossas cabeças e sentidos, até porque se eu tivesse tido a resposta para essas perguntas, certamente, não estaria me preocupando em tentar colocar nesse papel a maldita dor que parece contrair e esticar todas as células do meu corpo em um ritmo desagradável.
Hoje sou só uma garota sozinha em um bar, me deixando seduzir por essas bebidas, o suficiente para amanhã dar a desculpa amarela-rosa-roxa-vermelha ao meu próprio ego. A velha desculpa de que foi a bebida quem escreveu as mensagens, que foi ela quem deixou a mensagem suicida naquela maldita caixa postal, que foi ela quem discou o seu número pelo menos quinze vezes. Não lido mais bem com as coisas e qualquer cheiro, gosto, vontade. Qualquer rastro de memória minha fica atrelada a você em um laço firme que parece ferro, até cheira a ferro, e dói como ferro transgridindo as minhas células, veias e tudo mais. Pareço um detetive a procura de qualquer sinal seu, qualquer palavra que eu talvez tenha pronunciado em momento impróprio, qualquer erro. E pensando bem, o erro é todo meu. Infringi todas as minhas leis, desafiei todos meus limites. Fiz promessas, assoprei velas, contei estrelas, colhi trevos, parei de fumar, cruzei os dedos toda vez que vi um fusca azul, coloquei sal grosso em todos os cantos da casa. E pra que? Estou no mesmo lugar que lembro ter me visto no ultimo ano, não evolui nem um centímetro para frente ou para tras. Tudo que digo não tem mais nexo, tudo que eu acreditava foi embora com o vento. E todos os namorados que tive tinham sempre o mesmo problema: eles não eram você e isso acabava rapidamente com qualquer coisa.
Você foi embora e nada posso eu fazer pra me livrar desse pesadelo que é acordar todo dia e cheirar o travesseiro, desesperadamente, pra tentar sentir o cheiro do teu cabelo. Não consigo me livrar da boa sensação que sinto toda vez que paro em frente a uma feira e encontro lá uma banca de pimentões verdes. Procuro motivos para manter vivo em mim cada momento que te vi, cada momento que estive contigo, e meus motivos parecem muito concretos. Concretos o suficiente para me fazerem sair correndo na chuva só pra talvez te ver de longe, só pra talvez te ver quebrando meu coração de novo. Você ainda é o meu maldito sonho de todas as noites e nada que eu tente, mesmo que arduamente, vai fazer com que isso mude.
Hoje sou só uma garota sozinha em um bar, me deixando seduzir por essas bebidas, o suficiente para amanhã dar a desculpa amarela-rosa-roxa-vermelha ao meu próprio ego. A velha desculpa de que foi a bebida quem escreveu as mensagens, que foi ela quem deixou a mensagem suicida naquela maldita caixa postal, que foi ela quem discou o seu número pelo menos quinze vezes. Não lido mais bem com as coisas e qualquer cheiro, gosto, vontade. Qualquer rastro de memória minha fica atrelada a você em um laço firme que parece ferro, até cheira a ferro, e dói como ferro transgridindo as minhas células, veias e tudo mais. Pareço um detetive a procura de qualquer sinal seu, qualquer palavra que eu talvez tenha pronunciado em momento impróprio, qualquer erro. E pensando bem, o erro é todo meu. Infringi todas as minhas leis, desafiei todos meus limites. Fiz promessas, assoprei velas, contei estrelas, colhi trevos, parei de fumar, cruzei os dedos toda vez que vi um fusca azul, coloquei sal grosso em todos os cantos da casa. E pra que? Estou no mesmo lugar que lembro ter me visto no ultimo ano, não evolui nem um centímetro para frente ou para tras. Tudo que digo não tem mais nexo, tudo que eu acreditava foi embora com o vento. E todos os namorados que tive tinham sempre o mesmo problema: eles não eram você e isso acabava rapidamente com qualquer coisa.
Você foi embora e nada posso eu fazer pra me livrar desse pesadelo que é acordar todo dia e cheirar o travesseiro, desesperadamente, pra tentar sentir o cheiro do teu cabelo. Não consigo me livrar da boa sensação que sinto toda vez que paro em frente a uma feira e encontro lá uma banca de pimentões verdes. Procuro motivos para manter vivo em mim cada momento que te vi, cada momento que estive contigo, e meus motivos parecem muito concretos. Concretos o suficiente para me fazerem sair correndo na chuva só pra talvez te ver de longe, só pra talvez te ver quebrando meu coração de novo. Você ainda é o meu maldito sonho de todas as noites e nada que eu tente, mesmo que arduamente, vai fazer com que isso mude.
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