Devagar, é tudo que posso agora. Movimentos pequenos, pequenos passos em direção a estrada longa que abriu-se em frente a mim. Como uma catastrofe ambiental, uma rachadura no meio de uma rocha onde as duas partes se separam, mesmo que seja por alguns centimetros. A verdade é que estes poucos centímetros – que são facilmente despercebidos - logo se transformam em metros, quilometros e é exatamente assim que as coisas funcionam. O tempo passa e leva aquela outra parte para longe sem que ninguém perceba, ninguém além de ti. Analistas, psiquiatras tentarão explicar que todas as pessoas, rochas, matérias, sedimentos, passam por nossas vidas e deixam certas marcas, mas o que difere uma das outras é a maneira como queremos lidar com estes pequenos pedaços de nada.
Nada.
É como olhar para um céu claro e sem nuvens, e tentar adivinhar o que se passa com ele e com o vento. Refletir sobre os fragmentos que por qualquer motivo se ligaram em certo tempo e parecem indestrutiveis, intocaveis, inabaláveis. A decepção é grande quando o estudo mais aprofundado nos revela que rochas são apenas rochas e também estão sujeitas a mudanças que de repente se destroem, se desmancham e somem. E pedaço por pedaço, caco por caco, grãos de areia, tijolos não são suficientes para compensar estes centímetros de nada que nos separam.
Olhar para o lado, sentir uma brisa que por travessura do destino tem o teu cheiro. Tentar pular aqueles centímetros de distância que separam nossas rochas, e outra vez estou aqui tentando ir devagar e não apurar os passos. De mais, tento investigar e delimitar todo este caminho novo pelo qual me obrigo a seguir sem a tua mão nas minhas costas guiando os meus passos perdidos, bêbados. E o resto. O resto é nada.
Eramos um? Eramos dois? Eramos dois em um? Ou nunca fomos? Nada? Nunca fomos nada? Nem uma expressão algébrica, uma função de primeiro grau? Uma agulha perdida no meio do palheiro? Uma vela no meio de um bolo de aniversário de 80 anos? Uma lenha a mais na fogueira de são joão? Nada?
Nada.
E ai, se eu pudesse apagar cada travessão, cada linha, cada frase que formulei, cada pensamento que tive, cada sonho. Mais uma vez, se eu pudesse apagar cada centímetro de sentimento que tenho ao ler o teu nome escrito em qualquer caderno, eu queimaria a borracha com os meus dedos, gastaria todo o corretivo necessário só pra poder passar perto da rua da sua casa e não fraquejar, não encher os olhos d’àgua, não imaginar você. E ai corro para o penhasco - que parece crescer a cada dia e aumenta nossas distancias assim, sem pestanejar - corro e não ha mais nada a fazer, a dizer, a escrever, esperar. Tudo foi embora, todos os sedimentos se esvairam com o vento e se foram. E não restou nada, nada além da vontade de contruir uma ponte e te alcançar. Alcançar.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
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