Não consegui entender o porquê de o dia ter nascido ensolarado hoje. Porque sempre que acontece alguma catastrofe na minha vida, é dito e certo que o outro dia amanhece cinza, chuvoso ou coisa parecida. E não que não goste, pra falar a verdade amo dias chuvosos, amo a capacidade que eles tem de me deixar nostalgica. Entretanto, hoje o dia amanheceu ensolarado, cheio de cores, cheio de pássaros e borboletas. Por que? Seria este um sinal do céu pra me empurrar pra frente? Pra dizer que não posso desistir agora, que não posso voltar a andar em círculos? É, prefiro pensar assim, que é um jeito sutil de alguém lá em cima me dizer o que fazer. Então eu abri o jornal pra ler meu horóscopo, e dizia: cuidado com a veemência. Que diabos seria isto? Ok, abro o dicionário e lá está, veemente: adj. Impetuoso. Intenso. Mais uma vez, que diabos é este horócopo dizendo pra uma pessoa de áries que ela não pode ser intensa? Droga, agora queria aquele joguinho do teu celular, aquela bola mágica, pra perguntar o que devo fazer, porque ontem ele me ajudou a responder mil perguntas, embora não tenha tido coragem de “seguir o seu primeiro instinto”.
Ao contrário do dia bonito, simpático e espetacular, meu corpo amanheceu com dores pra todos os lados. Dói a cabeça, dói o joelho, dói as costas, dói o nariz, dói o coração, dói os olhos. Pareço ter sofrido um acidente, onde o carro capota e eu teria de ficar em observação por alguns dias. Todo movimento que faço, todo copo d’água que tenho de alcançar pra alguém, todo jornal que tenho que apanhar do chão parecem ser os movimentos mais dolorosos da face da terra, como se eu tivesse feito um mês de academia sem parar pra descansar. E dói, dói demais. Dói como alguém abrindo a sua boca com as duas mãos, para cima e para baixo, quebrando o teu maxilar, dói como alguém fazendo uma cirurgia no coração onde a anestesia não funcionou, é, exatamente assim. Doendo.
Daqui nove anos, a gente disse, daqui nove anos a gente nem vai se conhecer. Daqui nove anos essa minha dor que parece a flecha atravessando o calcanhar de Aquiles vai parecer não ter existido. Mas e ai? Terei de esperar nove anos pra ter coragem de dormir? Terei de esperar nove anos pra ter coragem de dormir e sonhar contigo? Porque, a gente sabe, a gente sabe que não tenho dormido só por medo de sonhar contigo. Então, melhor assim, melhor foi eu dizer que: amanhã não nos conheceremos mais e pronto, fica tudo mais fácil. Não fica? Minha dor, eu posso lidar com a minha dor, todo mundo pode lidar com a sua própria dor. Não pode? É a única coisa que espero.
São 10 horas da manhã e teu carro não está mais na garagem, não sei bem que horas tu saiu, mas acredito que já está longe o suficiente de mim pra que eu não possa correr e dizer que esqueci alguma coisa, que.. seilá, que esqueci meu óculos dentro do teu carro e sabe, não posso viver sem meus óculos. Mas é mentira, é mentira e todo o mundo sabe disto, é a mentira que gostaria de estar contando pra ti, pra te ver mais uma vez, pra me despedir de ti mais uma vez, pra adiar essa dor. Não, não da pra te alcançar. E mesmo se desse, meu bom senso não deixaria correr desse jeito. Porque a partir de hoje era pra, supostamente, não nos conhecermos, eu sei. Então é isso. Então é isso, eu saindo do teu carro e batendo a porta. Então é isso, eu saindo da tua vida sem deixar nenhuma marca, até porque todas as marcas estão em mim, todas as dores e lamentações. Então é isso, ultimos dias de outubro e não entendi nada o que isso quis dizer. Mentira, eu sei sim.. quis dizer: tchau, eu não posso mais achar que um ferro atravessando minha garganta é algo bom, mesmo que seja bonito, bla bla bla, é um ferro na garganta e dói demais. Então é isso, sem “até breve”, sem “a gente se vê”. Adeus. Adeus e adeus.
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